quinta-feira, 23 novembro, 2017 - 11:01
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Livro ‘bebível’ consegue filtrar água suja

Livro ‘bebível’ consegue filtrar água suja

Pesquisadores americanos fizeram os primeiros testes bem-sucedidos de um livro cujas páginas podem ser arrancadas e transformadas em filtro para limpar água.

O “livro bebível” é feito de papel tratado e traz informações impressas nas páginas sobre como e por que a água deve ser filtrada.

Para filtrar a água adequadamente, as páginas têm nanopartículas de prata ou cobre, que matam bactérias à medida que a água passa pelas páginas.

Livro 'bebível' consegue filtrar água suja

Livro 'bebível' consegue filtrar água suja

Os cientistas fizeram testes em 25 fontes de água contaminadas espalhadas por África do Sul, Gana e Bangladesh. Nos testes, o papel conseguiu remover mais de 99% das bactérias.

Após as filtragens, a água ficou com um nível de contaminação parecido ao da água que sai das torneiras nos Estados Unidos, segundo os cientistas. Também foram detectados níveis minúsculos de prata ou cobre na água filtrada, mas dentro do considerado seguro.

Teri Dankovich, pesquisadora em pós-doutorado da Universidade Carnegie Mellon em Pittsburgh, desenvolveu e testou a tecnologia durante vários anos, trabalhando com a Universidade McGill, no Canadá, e, depois, com a Universidade da Virgínia.

“(O livro) É voltado às comunidades de países em desenvolvimento”, disse Teri à BBC, acrescentando que 663 milhões de pessoas no mundo todo não têm acesso a água potável.

“Tudo o que você precisa fazer é arrancar uma folha, colocar em um suporte para filtro comum e despejar água de rios, riachos, poços etc, e, do outro lado, vai sair água limpa – e bactérias mortas também.” Isso porque as bactérias absorvem os íons de prata ou cobre enquanto atravessam o papel.

Livro 'bebível' consegue filtrar água suja

Segundo os testes realizados pela cientista, uma página pode limpar até 100 litros de água. Um livro inteiro pode fornecer água limpa por quatro anos.

Alguns locais de testes se tornaram grandes desafios para o papel criado por Dankovich: por exemplo, um córrego que recebia diretamente esgoto não tratado com alto nível de bactérias.

“Mas ficamos muito impressionados com o desempenho do papel, que conseguiu matar quase completamente as bactérias naquelas amostras. E elas eram bem nojentas, então pensamos – se (o material) conseguir fazer isso, provavelmente vai conseguir fazer muito.”

Mas, há um problema, segundo Daniele Lantagne, engenheira ambiental da Universidade Tufts, nos Estados Unidos: o papel parece matar bactérias, mas ainda não se sabe se pode matar outros microorganismos perigosos. “Quero ver os resultados para protozoários e vírus. É promissor, mas não vai salvar o mundo amanhã. Eles completaram uma fase importante e há mais (fases) para enfrentar”, disse. Sugestão de Sergio Maduro.

Fonte: BBC Brasil
http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/08/150817_livro_limpeza_agua_fn

Sobre Luciano Abe

Jornalista, fotógrafo, videorrepórter, documentarista, cineasta, mestrando e blogueiro com diplomas e certificados de cursos e especializações nessas áreas pela PUC-SP, Academia Internacional de Cinema (AIC) e Senac-SP.
Foi professor no Senac-SP e na editoria de treinamento da Folha de S.Paulo. Jornalista profissional diplomado (Mtb: 0068126/SP)