sexta-feira, 20 outubro, 2017 - 16:01
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Adolescente é absolvido 70 anos depois de ser executado por homicídio nos EUA

Adolescente é absolvido 70 anos depois de ser executado por homicídio nos EUA

A Justiça do Estado da Carolina do Sul (EUA) inocentou um adolescente negro de 14 anos pela morte de duas garotas brancas –70 anos depois de ele ser julgado culpado e ter a pena de morte executada.

George Stinney foi julgado, condenado e executado em apenas 83 dias após o assassinato de Betty June Binnicker, de 11 anos, e Mary Emma Thames, de 7 anos. Elas foram encontradas mortas em um bairro negro na cidade de Alcolu, em março de 1944. As meninas tinham ferimentos na cabeça, supostamente causados por golpes de barra de ferro.

A família de Stinney sempre acreditou na inocência do adolescente, que teria sido forçado a confessar o crime para servir de bode-expiatório, segundo o “Guardian”, “de uma comunidade branca procurando vingar a morte de duas meninas”. Ele foi a pessoa mais nova a ter a pena de morte executada nos Estados Unidos no século 20.

Adolescente é absolvido 70 anos depois de ser executado por homicídio nos EUA

Em um julgamento nesta quarta-feira (17), a juíza Carmem Mullen anulou a sentença anterior e chamou o caso de “um episódio realmente infeliz” na história da Carolina do Sul. Para justificar a sentença que inocentou Stinney, a juíza afirma ter havido “violação dos procedimentos processuais que macularam sua acusação”.

“A confissão simplesmente não pode ser considerada válida e voluntária, dados os fatos e circunstâncias desse caso, destacando-se a idade do acusado e sugestionabilidade”, disse Mullen.

Ela se referia ao fato de o adolescente negro ter confessado o crime sem os pais ou um advogado estarem presentes, em interrogatório conduzido por policiais brancos. Ainda, o advogado público designado para defende-lo, Charles Plowde, “fez nada ou muito pouco” para ajudar o réu.

Aime Ruffner, irmã de Stinney, participou como testemunha de defesa no novo julgamento, ocorrido em janeiro, afirmando que estava com ele na hora em que o crime foi cometido por outrem, porém nunca foi ouvida pela Justiça até então. Os testemunhos de outros dois irmãos de Stinney também ajudaram a provar, setenta anos depois, a sua inocência.

“Eu nunca voltei [a Alcolu]. Eu amaldiçoei aquele lugar. Foi lá que minha família foi destruída e meu irmão, morto”, disse Ruffner. (Com Guardian e Washington Post)

Fonte: UOL Notícias – Internacional/Guardian/Washington Post
http://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2014/12/18/jovem-negro-e-absolvido-70-anos-depois-de-ser-executado-por-homicidio-nos-eua.htm

Sobre Luciano Abe

Jornalista, fotógrafo, videorrepórter, documentarista, cineasta, mestrando e blogueiro com diplomas e certificados de cursos e especializações nessas áreas pela PUC-SP, Academia Internacional de Cinema (AIC) e Senac-SP. Foi professor no Senac-SP e na editoria de treinamento da Folha de S.Paulo. Jornalista profissional diplomado (Mtb: 0068126/SP)