Josephine Finda Sellu, de 42 anos, perdeu 15 de suas enfermeiras para o ebola em rápida sucessão e pensou em deixar o trabalho.
Ela não o fez. Sellu, a vice-chefe de enfermagem, é uma rara sobrevivente que nunca deixou de trabalhar no hospital público de Serra Leoa. O clube dela é seleto, consistindo talvez de três mulheres da equipe original de enfermagem para o ebola que não contraíram o vírus e que assistiram a colegas morrerem, mas que ainda continuam trabalhando. Ao todo, 22 funcionários do hospital morreram.
Na campanha contra o vírus ebola, que está varrendo partes do Oeste da África, a linha de frente é costurada por pessoas como Sellu: médicos e enfermeiros que dão suas vidas para tratar pacientes que provavelmente morrerão; faxineiros que limpam as poças letais de vômito e dejetos, para que os centros de saúde em dificuldades possam permanecer abertos. Motoristas que se aventuram nas aldeias tomadas pela doença para pegar pacientes; funcionários encarregados da tarefa perigosa de impedir que outras pessoas sejam infectadas pelos cadáveres altamente contagiosos.
O sacrifício deles é evidente pelas estatísticas. Pelos menos 129 funcionários de saúde morreram combatendo a doença, segundo a Organização Mundial da Saúde. E apesar de muitos trabalhadores terem fugido, abandonando sistemas de saúde já precários, muitos novos recrutas se apresentaram voluntariamente –com frequência por pouca ou nenhuma remuneração, às vezes abandonando suas casas, comunidades e até mesmo famílias no processo.
Fonte: UOL Notícias – Internacional/The New York Times
http://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/the-new-york-times/2014/08/26/mesmo-apos-15-colegas-morrerem-de-ebola-enfermeira-segue-trabalho-em-serra-leoa.htm


