segunda-feira, 01 março, 2021 - 03:19
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Médicos batem ponto sem trabalhar em hospital público da zona leste de SP

Médicos batem ponto sem trabalhar em hospital público da zona leste de SP


A Secretaria de Estado da Saúde afastou do serviço três médicos do Hospital e Maternidade Leonor Mendes de Barros, no Belenzinho (zona leste de SP), flagrados por uma equipe de reportagem do SBT entrando na unidade e indo embora minutos depois, após bater o ponto. 


Eles entram no hospital público, registram o ponto e saem em menos de 15 minutos, sem prestar qualquer atendimento. A remuneração mensal de um deles chega a R$ 7.261,73; os outros dois recebem R$ 4.714,23 e R$ 5.956,90 cada um. O caso foi revelado pelo “SBT Brasil”.


Os médicos flagrados são o endocrinologista Rogério Guenji Gondo, o cirurgião-geral Luis Henrique Alvares Nucci e o cirurgião plástico Roberto Luiz Sodré. Os três alegaram que cumprem as 20 horas semanais de trabalho.

A Secretaria da Saúde classificou o caso como “inadmissível e absurdo” e disse que os médicos ficarão afastados por 30 dias e podem ser demitidos.

A excelente reportagem do SBT ainda descobriu que os médicos residentes da unidade pedem supervisão por celular aos médicos ausentes: 
http://tvuol.uol.com.br/assistir.htm?&tagIds=3876&time=all&orderBy=mais-recentes&edFilter=editorial&video=medicos-residentes-pedem-supervisao-por-celular-em-sp-04024C1C3568C4B14326

Leia abaixo o texto que o endocrinologista Rogério Gondo postou no Facebook para se defender:

“Venho por meio desta esclarecer sobre a vinculação de minha imagem a uma reportagem. Sou médico, concursado a nível estadual, e trabalho no Hospital e Maternidade Leonor Mendes de Barros. Sou endocrinologista e minha função primária é dar suporte a instituição, na compensação de pacientes com atenção principal a gestantes de alto risco (com diabetes mellitus, diabetes gestacional, tireoidopatias etc), compensar metabolicamente pacientes que necessitam de cirurgia (pré operatório), além do suporte a maternidade em casos com genitália ambígua, por exemplo. 
Como atuo para cumprir minha função? Primeiramente, faço consultas no ambulatório. Não é raro acompanhar toda semana uma paciente descompensada. A instituição me dá todo suporte inclusive agilizando a realização de exames laboratoriais, fato difícil de se ver por aí. Desta maneira, objetivo um melhor controle, minimizando as internações e complicações das pacientes. 
Na enfermaria, dou todo suporte a pacientes que precisam de uma avaliação endocrinológica (inter consultas). 
Além disso, estou a disposição de qualquer membro da equipe médica da instituição, 24 horas por dia, todos os dias, através do meu celular (número disponível na diretoria técnica), para uma discussão de um caso, e, se necessário, uma avaliação presencial o mais rápido possível.
Essa última atuação configura, ao meu ver, uma modalidade de plantão a distância. 
A reportagem não somente omitiu todas essas minhas atribuições como simplesmente deixou de maneira, de certa forma evidente, que nunca trabalho na instituição. Na verdade, eu teria, inclusive, algumas maneiras legais para não trabalhar: teria tirado todas as minhas licenças prêmios (nunca requeri), além de todos os 9 meses de afastamento do meu quinquênio que tenho direito!
Acredito que a melhor maneira de cumprir minha função é dessa maneira. 

Muito obrigado pela atenção!”

Obs.: o texto está na íntegra, sem correções.

http://www.agora.uol.com.br/saopaulo/2013/08/1319902-medicos-sao-afastados-por-bater-ponto-sem-trabalhar.shtml

Sobre Luciano Abe

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Jornalista, fotógrafo, videorrepórter, documentarista, cineasta, mestrando e blogueiro com diplomas e certificados de cursos e especializações nessas áreas pela PUC-SP, Academia Internacional de Cinema (AIC) e Senac-SP. Foi professor no Senac-SP e na editoria de treinamento da Folha de S.Paulo. Jornalista profissional diplomado (Mtb: 0068126/SP)