segunda-feira, 22 maio, 2017 - 18:16
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88,2% dos aprovados em Medicina na Unicamp são de escola pública

88,2% dos aprovados em Medicina na Unicamp são de escola pública

O curso mais concorrido da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) foi o que teve a maior proporção de alunos aprovados que fizeram todo o ensino médio em escola pública. O resultado indicou que, dos 110 selecionados na primeira chamada para Medicina, 97 – ou 88,2% – são oriundos da escola pública. A Unicamp não adota cotas, mas um sistema de bonificação e, pela primeira vez, os aprovados que estudaram em escola pública superaram os de escolas particulares. De acordo com a Unicamp, 51,9% dos estudantes aprovados para as 3.320 vagas disponíveis em 70 cursos de graduação vieram da escola pública. E, desses, 43% são autodeclarados pretos, pardos ou indígenas (PPI).

Até 2015, os candidatos tinham direito ao bônus somente na segunda fase do vestibular. Para este ano, os pontos extras passaram a ser acrescidos às notas tanto da primeira como da segunda etapa. De acordo com o reitor José Tadeu Jorge, o programa de bonificação aumenta a oportunidade de inclusão dos estudantes, mas garante que a universidade ainda continue selecionando os melhores. “Esse é um mérito do PAAIS [Programa de Ações Afirmativas e Inclusão Social]. É uma inclusão com base na qualidade demonstrada pelos candidatos no vestibular. Não correremos riscos de que os estudantes não consigam, depois, acompanhar o conteúdo dos cursos que vão fazer.”

88,2% dos aprovados em Medicina na Unicamp são de escola pública

Renato Pedrosa, do Departamento de Política Científica e Tecnológica da Unicamp e ex-coordenador do vestibular da universidade na época da criação do sistema de bonificação, disse que a projeção inicial da política era equilibrar a demanda de alunos de escola pública com a aprovação. Por isso, ele acredita que os resultados podem indicar que a mudança foi agressiva demais, já que em alguns cursos, como Medicina e Arquitetura, supera até mesmo a proporção de alunos de escola pública em São Paulo, que em média é de 85% no ensino médio.

“Não que esses alunos de escola pública não estejam preparados, porque ainda assim a concorrência é acirrada. Mas é preciso analisar que alunos bem qualificados de escolas particulares podem ter sido prejudicados”, ressaltou. “A política de bonificação busca equalizar oportunidades, mas não pode causar um desequilíbrio e excluir um grupo bem preparado”, acrescentou. Para Pedrosa, o número de alunos aprovados de escola pública tende a aumentar nas próximas chamadas da Unicamp, que segue até março, totalizando nove listas.

Mesmo com a pressão do governo estadual para que as universidades paulistas reforcem ações para a inclusão de alunos da rede pública, apenas a Unicamp havia estabelecido ter 50% de seus aprovados provenientes da escola pública até 2017. A USP e a Unesp calculam atingir esse patamar apenas em 2018. Os dados de aprovação do vestibular deste ano ainda não foram divulgados pelas instituições. A Unesp é a única estadual que adota cotas sociais e raciais.

Fonte: Época Negócios/O Estado de S. Paulo
http://epocanegocios.globo.com/Brasil/noticia/2016/02/882-dos-aprovados-em-medicina-na-unicamp-sao-de-escola-publica.html

Sobre Luciano Abe

Jornalista, fotógrafo, videorrepórter, documentarista, cineasta, mestrando e blogueiro com diplomas e certificados de cursos e especializações nessas áreas pela PUC-SP, Academia Internacional de Cinema (AIC) e Senac-SP. Foi professor no Senac-SP e na editoria de treinamento da Folha de S.Paulo. Jornalista profissional diplomado (Mtb: 0068126/SP)